14.2.08

Rater sa vie est un droit inaliénable

Décadas me separam do último post. Sou absolutamente diferente agora. "É claro, já se passaram quatro meses". Mas, não. As mudanças aconteceram nas últimas duas semanas. Sentimentos que eu nunca imaginaria foram se imiscuindo em mim, desenvolvendo raízes que não quero impedir que cresçam, porque me fazem sentir bem como em bastante tempo eu não sentia. Achei que isso estaria perdido para mim e descobri que o futuro pode ser mais imprevisível do que eu sequer ouso cogitar.

Esses sonhos têm me desconectado com a realidade que eu achava que era a que eu queria, sem contudo me deixar mais perto do mundo platônico que tenho construído sobre alicerces dos mais frágeis, vale ressaltar. Quanto mais penso no que fazer, menos coragem consigo reunir para tomar uma decisão e agir de acordo. E quando imagino que a solução é certa, toda a situação se transforma e permaneço no escuro como antes.

Tristeza adicionada a uma indecisão deprimente, que me impede absolutamente de chegar a qualquer escolha razoável. Sem contar que sofro por antecipação, afinal não me fizeram nenhuma pergunta para que eu precisasse chegar numa resposta tão prontamente. Estou cansada e mais do que resolvida a abandonar esse mundo cinza e irremediável.

30.10.07

Frases de um sábado esclarecedor

I.
A religião é um ótimo meio de justificar os erros. Qualquer ação pode ser fundamentada com "Deus me mostrou o caminho. Eu o senti em meu coração. Ele sempre me deu o que eu precisei", servindo tanto para escolher géleia de framboesa ao invés da de maçã no café da manhã, quanto uma grande decisão. Das duas uma, ou Deus é um tremendo desocupado, ou então ..., bem, todo mundo sabe o que eu ia escrever agora. Depois dessa manhã, fui transformada em uma temente a Deus, afinal um ser cujos seguidores têm problemas psiquiátricos tão graves deve ser evitado.


II.
As pessoas reclamam de falta de tempo para justificar preguiça. Não existe tal coisa como falta de tempo, existe falta de vontade de fazer algo, esquecimento, displicência. E digo isso por relapsa convicta que sou. "Odeio quando leio um coisa grande e o final é sem graça". Nem todo texto longo tem a obrigação de ter um Bozo no final. Um texto curto sem graça também não é bom. Mas, isso é algo que já é percebido há tempos (tem uns quatro ou cinco anos que eu li uma matéria na Superinteressante sobre isso). A era da informação/globalização/rapidez dos meios de comunição só faz com que todo mundo esqueça como se lê. A idéia de que todos têm tempo reduzido faz com que tudo tenha uma versão reduzida, daí ninguém lê a completa. Chega ao absurdo daqueles livrinhos de clássicos mundiais resumidos, fazendo com que Dom Quixote vire texto infantil. O mais maravilhoso é a mudança do vocabulário por um mais "acessível".


III.
A odiosa mania de popularidade. Agenda de celular com o número até do amigo do irmão da namorada do primo de quarto grau da tia da vizinha. Lista do Orkut com 583 pessoas, sendo que vinte são família, seis são amigos de faculdade que vê todo dia (mas manda scrap inútil pelo menos quatro vezes por dia) e o resto sai catando na lista alheia ou em uma das 2.709 comunidades imbecis que faz parte. "Meu aniversário foi o melhor de todos". Tem gente que é popular, às vezes meio que sem motivo. E gosta disso, fazendo a maior propaganda de si mesmo que pode. É como a barra de influência de The Sims 2 (sei lá qual expansão), que cresce à medida que o número de amizades aumenta e faz com que se forçe os outros Sims a fazer alguma coisa. Mesmo que injustificadamente, esse tipo de pessoa consegue que trinta "seguidores" a acompanhem em uma manhã normal na praia. Quem não é, vai sozinho e aceita. O problema está em quem quer ser, tenta e não convence. Sai em uma noite especial somente com meia dúzia de pessoas, sendo que sabe que algumas não têm nenhuma outra opção.


P.S.: Tenho o direito de jogar pedra mesmo porque nenhum desses defeito é meu. Sou ateísta, leitora compulsiva e anti-social assumida (tive uma iluminação agora me mostrando que são características complementares; pensarei melhor sobre isso depois).

11.9.07

“Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”

Niilismo iconoclasta. Estava viajando calmamente, escutando o som da natureza no sertão (ou seria na zona da mata?) e todas essas frescuras que as pessoas só se permitem durante os finas de semana e feriados, quando comecei a pensar nisso. Seria redundância? Afinal, se alguém não atribui valor a nada, conseqüentemente vai ter uma postura destruidora frente as crenças alheias exatamente pelo seu desprezo às mesmas. Niilismo implica em ataque. Não creio que uma atitude pacífica e receptiva condiza com seu caráter de discórdia. Daí, minha dúvida se não seriam facetas da mesma linha de idéias.

Quanto menos acredito no mundo, mais tranquila fico em relação a ele. Algo como a serenidade dos que sabem há muito tempo que vão morrer e simplesmente se conformam com o fim. Tenho que admitir alguns momentos em que a aceitação desaba, mas estão cada vez mais espaçados. O segredo é a tentativa de alcançar um desapego a quase tudo. Ainda existem situações que me afetam, mas é por menos tempo que antes. Isso não necessariamente me torna alguém melhor, porém certamente mais melancólica e indiferente e, possivelmente, mais chata.

Uma das coisas que ainda me irrita é não poder dizer tudo que me vem à mente. Pessoas iletradas fingindo que sabem alguma coisa sobre Literatura, copiando fielmente as opiniões de livros de Português para Ensino Fundamental, indo sempre aos lugares comuns, nomeado os clássicos óbvios, enquanto sei que lêem tão vagarosamente que demorariam dez anos ininterruptos para terminar Diário de um Mago. Pessoas que só conhecem Filosofia por Marilena Chauí e vêm me dar aulas sobre Leonardo Boff, como se pieguice católica estivesse no rol de meus interesses. Que apregoam inteligência e cultura e ainda cultivam costumes bárbaros como religião e arrotar depois das refeições. Todas essas temeridades impunes por causa de uma polidez falsa e meu superego eficiente.

Entretanto, escrevo tudo isso sem nenhum ódio em meu coraçãozinho. Estou totalmente desprovida do gérmen da raiva. O mundo tem sido do jeito que eu quero e o que não é, simplesmente não importa. Estou disposta a ceifar qualquer coisa que não se enquadre em meu paradigma de como deve ser, havendo somente uma pequena margem de tolerância. Não suportarei mais ouvir lições de imbecis, mesmo que não sejam direcionadas a mim. Quem, quiser que chame de procurar briga, sempre fui uma pessoa belicosa mesmo. Contudo, para adotar inteiramente essa posição, tenho que aprender a admitir erros e ignorância mais facilmente, porque senão decaio para a hipocrisia. Minha cruzada agora é contra a parvoíce.

P.S.: Não vou escrever nada sobre o 11 de Setembro. Mas, depois de sei lá quantos anos, Bush ainda não tem a cabeça de Osama para pendurar na parede do Salão Oval.

Ipod: The Tower, Avantasia

As caveiras descarnadas

São a minha companhia,

Trago-as de noite e de dia

Na memória retratadas

Muitas foram respeitadas

No mundo por seus talentos,

E outros vãos ornamentos,

Que serviram á vaidade,

E talvez...na eternidade

Sejam causa de seus tormentos.