Niilismo iconoclasta. Estava viajando calmamente, escutando o som da natureza no sertão (ou seria na zona da mata?) e todas essas frescuras que as pessoas só se permitem durante os finas de semana e feriados, quando comecei a pensar nisso. Seria redundância? Afinal, se alguém não atribui valor a nada, conseqüentemente vai ter uma postura destruidora frente as crenças alheias exatamente pelo seu desprezo às mesmas. Niilismo implica em ataque. Não creio que uma atitude pacífica e receptiva condiza com seu caráter de discórdia. Daí, minha dúvida se não seriam facetas da mesma linha de idéias.
Quanto menos acredito no mundo, mais tranquila fico em relação a ele. Algo como a serenidade dos que sabem há muito tempo que vão morrer e simplesmente se conformam com o fim. Tenho que admitir alguns momentos em que a aceitação desaba, mas estão cada vez mais espaçados. O segredo é a tentativa de alcançar um desapego a quase tudo. Ainda existem situações que me afetam, mas é por menos tempo que antes. Isso não necessariamente me torna alguém melhor, porém certamente mais melancólica e indiferente e, possivelmente, mais chata.
Uma das coisas que ainda me irrita é não poder dizer tudo que me vem à mente. Pessoas iletradas fingindo que sabem alguma coisa sobre Literatura, copiando fielmente as opiniões de livros de Português para Ensino Fundamental, indo sempre aos lugares comuns, nomeado os clássicos óbvios, enquanto sei que lêem tão vagarosamente que demorariam dez anos ininterruptos para terminar Diário de um Mago. Pessoas que só conhecem Filosofia por Marilena Chauí e vêm me dar aulas sobre Leonardo Boff, como se pieguice católica estivesse no rol de meus interesses. Que apregoam inteligência e cultura e ainda cultivam costumes bárbaros como religião e arrotar depois das refeições. Todas essas temeridades impunes por causa de uma polidez falsa e meu superego eficiente.
Entretanto, escrevo tudo isso sem nenhum ódio em meu coraçãozinho. Estou totalmente desprovida do gérmen da raiva. O mundo tem sido do jeito que eu quero e o que não é, simplesmente não importa. Estou disposta a ceifar qualquer coisa que não se enquadre em meu paradigma de como deve ser, havendo somente uma pequena margem de tolerância. Não suportarei mais ouvir lições de imbecis, mesmo que não sejam direcionadas a mim. Quem, quiser que chame de procurar briga, sempre fui uma pessoa belicosa mesmo. Contudo, para adotar inteiramente essa posição, tenho que aprender a admitir erros e ignorância mais facilmente, porque senão decaio para a hipocrisia. Minha cruzada agora é contra a parvoíce.
P.S.: Não vou escrever nada sobre o 11 de Setembro. Mas, depois de sei lá quantos anos, Bush ainda não tem a cabeça de Osama para pendurar na parede do Salão Oval.
Ipod: The Tower, Avantasia
As caveiras descarnadas
São a minha companhia,
Trago-as de noite e de dia
Na memória retratadas
Muitas foram respeitadas
No mundo por seus talentos,
E outros vãos ornamentos,
Que serviram á vaidade,
E talvez...na eternidade
Sejam causa de seus tormentos.